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Monday, April 11, 2011

Como criar uma empresa?


Como criar uma empresa? Ora penso que esta questão poderá ser a mais fácil de todas. Criar uma empresa hoje é uma responsabilidade, é fácil abrir empresa, o que torna tudo difícil são elas sobreviverem às constantes crises.
Pensem sempre que ao criarem a vossa empresa ela terá um início, um meio e um fim. O grande segredo disto é começar a empresa, divulgá-la, e ter sucesso com ela, e viver ao máximo esse período e nunca se esquecer que o fim é o futuro, poderá ser obviado ou alterado o objecto, mas infelizmente a realidade é essa. O fim muitas vezes pode nem estar relacionado com má gestão ou questões que poderemos controlar, poderá aparecer algo que torne o nosso produto completamente obsoleto, daí que por vezes para garantir a sobrevivência das empresa no longo prazo as mesmas vão-se reinventando, e muitas vezes acabam por desviar do seu ramo original, e temos diversos exemplos.
Como sou gestor tendo a divagar um pouco sobre estes temas, vou criar uma série de posts sobre criar uma empresa, esperando que com a minha experiência que já vão em quase meia dúzia, muito evitem os erros que cometi e outros que aproveitem o sucesso que consegui.
Na base de qualquer empresa, existe um serviço, um produto, algo que chamemos core business, o nosso objecto, aquilo que nos distingue aquilo que alimenta os nossos esforços.
O erro que por vezes é cometido por comprar empresa que desconhecemos, sempre que vir um negócio à venda, ou você encontra-se actualmente no negócio e consegue valorizá-lo correctamente, ou pode ser seriamente enganado. Se uma pessoa vende um negócio, suspeite das suas razões, certifique-se que o negócio está legalizado, que os volumes que dizem que têm são mesmo reais, ou que os contratos de fornecimento são mesmo um futuro certo, e se o vendedor é particularmente novo, as suspeitas devem ser ainda maiores … Já vi de tudo, por isso avisos muito sérios para quem adquire empresas.
Possivelmente se estaremos a falar de trespasses padarias, livrarias, ou outros estabelecimentos comerciais, os riscos poderão ser menos e mais fácil de medir, e nunca podemos esquecer que nós temos que acrescentar valor ao negócio, as nossas ideias, aquilo em que acreditamos.
Vou fazer uma pequena lista de coisas que temos que analisar antes de colocar a nossa ideia em prática, inclusive alguns custos fixos que irão aparecer e que muitos de nós possivelmente não os consegue identificar neste ponto da ideia:
- Tipo de sociedade, ora vamos ter que escolher que tipo de sociedade iremos querer legalmente constituir, acho que será tema para um posto num futuro próximo;
- Vou necessitar de ter contabilidade organizada ou não, de todas as maneiras vou ter que pagar a um Técnico de Contas para me apoiar nos impostos, contudo tenho algumas dicas que poderei dar para vos ajudar
- Documentos oficiais da empresa, facturas, recibos, etc., tenho uma boa notícia existem softwares grátis e legais que podem utilizar, pelo menos nos primeiros tempos será menos um custo;
- Alvarás: existem actividades que exigem alvarás, será importante verificar se a sua actividade necessita de alvará, e quais as condições para os obter.
- Higiene e Segurança no Trabalho, bem a lei obriga a mais este custo, que poderá até ser maior se se tratar de restaurante ou outras actividades que neste momento têm legislação mais apertada, poderão exigir um conjunto de certificações antes de começarem a facturar
- O nome da empresa, se calhar uma das coisas mais importantes, o logo, e todo o plano de marketing para divulgar os vossos serviços e pordutos, tenho e poderei auxiliar com algumas ideias neste âmbito;
- Plano de negócio: ora aqui está o cerne da questão, por vezes necessitamos de ir ao banco e pedir dinheiro para poder por tudo em prática, para tal é importante ter um documento, bem redigido para que as entidades consigam avaliar tudo o que pretendem executar. Muitas vezes o apoio a um projecto depende de um plano bem feito, e claro de uma apresentação e de sócios que mostrem aquele brilho nos olhos que é possível chegar lá.
- O local, se ainda não pensou nele, ele poderá ser ou não importante, com a internet hoje, nem necessita de ser físico, o espaço poderá até se digital, mas é um assunto que tem que ser devidamente estudado, aliás tudo o que tenho falado será devidamente incluído no plano de negócio.
E continua … criar uma empresa, como disse no início é cada vez mais uma responsabilidade maior, portanto, este primeiro post é só uma apresentação ao tema, teremos muitos assuntos para poder debater sobre criar uma empresa de raiz ou adquirir uma empresa. Estejam à vontade com os comentários tentarei ajudar no que conseguir.

Friday, April 8, 2011

Se o FMI vier para Portugal: O que poderemos esperar?


O FMI já cá esteve em Portugal, e não seria a primeira vez. Vamos sobreviver a atitude lusitana assim vencerá. Digamos que o FMI em Portugal não é o fim do mundo. O que realmente me preocupa e com certeza a milhares de portugueses é que foi a banca que fechou a porta ao Estado (Sócrates) e o obrigou a admitir aquilo que há meses muitos viam como inevitável.
Sinceramente, tenho pena, pois a culpa é de todos nós, na última campanha eleitoral (eleições legislativas), onde tudo o que sabemos hoje já era bem sabido pelos líderes políticos, foi tudo uma farsa uma festa, pois o Zé Povinho gosta é de festa, e foi o que lhes foi dado.
Não vale a pena falar do passado, e a vitimizarem-se, acredito que quer tenha na altura ganho um ou outro, o governo acabaria por cair, agora se o FMI apareceria ou não, tenho dúvidas. Mas o que realmente vai mudar nas nossas vidas com o FMI em Portugal. Na verdade, cada PEC que o governo do Sr. Sócrates foi apresentando foi uma gradual aproximação do que seria uma intervenção do FMI num país em dificuldades, e vejamos que os casos mais recentes da Irlanda e da Grécia as coisas não melhoraram só pela chegada do FMI, há muito trabalho e sacrifício a fazer.
Na verdade esta será a terceira vez que o FMI entra em Portugal, em 1977 e 1983, até podemos dizer que foi vantajoso, pois com o escudo, ou seja com o poder sobre a política monetária foi possível inverter a situação e criar rapidamente vantagens competitivas para a economia Portuguesa de modo a recuperar de uma situação fragilizada em que se encontrava. Hoje, como pertencemos a EU e as regras monetárias não são por nós controladas, serão medidas mais duras e socialmente mais penosas que terão que ser tomadas para recuperar a situação que nos encontramos.

Então vejamos onde poderemos esperar alterações:
  • Legislação laboral mais flexível: obviamente que o FMI também irá olhar para a legislação laboral em Portugal, a sua alteração e liberalização face às necessidades actuais do país serão áreas de análise, acredito que nesta área por mais que queiramos haverá alterações muito severas e prejudiciais aos trabalhadores, nomeadamente em direitos adquiridos por antiguidades e outros que tornam o nosso sistema laboral algo viciado e sem futuro à vista. Valorizar as qualificações em detrimento da antiguidade é algo que muitos rejeitam em referir, mas é algo que faz com que Portugal seja ou esteja na cauda da Europa.
  • Reduzir na despesa: o FMI ao chegar a Portugal olhará principalmente para esta rubrica, sendo que este governo tem aumentado e muito as despesas sociais desde que se estabeleceu como governo, embora tenha nos últimos anos gradualmente retirado benefícios, irá por parte do FMI haver uma acção mais rigorosa e incisiva neste âmbito, que poderá afectar os subsídios de desemprego e as prestações sociais.
  • Aumento de Impostos: aqui temos todos já sofrido com o aumento do IVA que passou de 20%  para 21%, depois para 23%, lembro que na Grécia e Irlanda foi uma das medidas tomadas, o que não poderá ser posta de parte, na realidade é urgente aumentar a receita, e o IVA é o motor de toda a máquina fiscal, é aquele que embora tenha algumas questões discutíveis na prática, é aquele que constantemente e rapidamente trás retornos. Para além do IVA o IRS e o IRC também poderão aumentar, sabendo do estado das empresas Portuguesas acredito numa acção concertada para reduzir benefícios so que propriamente aumentar impostos.
  • Corte nos salários: o manual FMI quer para Portugal quer para qualquer país, é neste aspecto que se pode esperar maiores sacrifícios, os funcionários públicos poderão ter em risco os seus próximos subsídios, foi o que aconteceu na Grécia;
  • Pensões: as pensões sempre forma assunto tabu quando visto à luz de cortes e reduções de despesas, contudo, haverá um foco importante com o FMI em Portugal, aliás já o PEC4 apresentava medidas que incidiam principalmente nestes aspectos, sinceramente acredito e espero que as pequenas e miseráveis reformas da maioria dos Portugueses não sejam afectas, mas temo que poderão não passarem intocáveis no meio de toda a tempestade financeira que por aí vem
Opções não faltam, e não se limitarão às referidas, existe muita injustiça fiscal existente neste país, e possivelmente alguns desses casos poderão passar por soluções estruturais de forma a solucionar de vez os seus problemas, é uma oportunidade para o país se endireitar de vez. Temos que ver este pedido de ajuda ao FMI a Portugal como uma oportunidade para o país ser mais livre e equitativo face ao passado, sabendo que infelizmente serão os mesmos a pagar esta factura, mas poderemos preparar o futuro pós FMI para termos um país mais justo e próspero.